‘Biodanza’ de Rolando Toro Araneda

Bio(centric) Book:
Biodanza de Rolando Toro Araneda
 
Quero inaugurar este espaço de recomendações de leitura, precisamente, pelo livro do criador da Biodanza. Ousar trazer ao mundo uma pedagogia assente no afecto, na alegria, no prazer, na glória de viver, no triunfo da vida, é um mérito que lhe assiste. Tem a minha profunda reverência!
 
Ser capaz de sustentar um caminho, não isento de dificuldades, inerentes a um mundo que não entende essa linguagem, apesar de todo a nossa corporeidade nos orientar no sentido do grandioso: o êxtase!
 
O estímulo da Vida, deu-nos como guias, neurotransmissores como a serotonina, a dopamina, a endorfina, a noradrenalina, a anandamina, todos eles presentes, no que se define em Biodanza por vivência e capazes de nos ajudar, a integrar enquanto humanos e a descobrir toda uma nova visão do mundo.
 
Neste livro Rolando Toro, guia-nos pelo sistema, desde a sua origem, passando pelos efeitos fisiológicos, e naturalmente pelo principio biocêntrico, onde ele diz que o mesmo ‘estabelece um modo de sentir e de pensar que toma como referência existencial a vivência’, por contra ponto à cultura humana de poder e dominação que usa referências auto-destrutivas na maioria dos casos, com custos incomensuráveis para a vida humana, mas pior ainda para a Vida em geral. Assente neste principio orientador, a viagem continua, pelo seu aporte do inconsciente vital, os mitos e arquétipos na Biodanza, a unidade movimento-músiva-vivência, o continuam identidade e regressão, o movimento humano, os potenciais genéticos, o contacto e a caricia e naturalmente o modelo teórico e vários aspectos relacionados com a metodologia que geram todo o seu potencial integrador e pedagógico.
 
Termino com um parágrafo, que me toca sobremaneira, e que espero, motive a procura do livro, apenas disponível por encomenda.
 
‘Diante do terror da origem, diante da solidão inexorável do infinito, os seres humanos buscam uma resposta olhando-se nos olhos. Nossas existências não foram deixadas ao acaso como os meteoritos ardentes no espaço côncavo, mas sim nasceram na linfa milenar, do útero cósmico que se nutre e respira com o amor dos elementos. Na luz da origem, na clareira paradisíaca da realidade, nós nos buscamos reciprocamente.’ Rolando Toro Araneda
 
06 de Junho de 2019
 
Ao ritmo da vida
 
Nuno Pinto

Estados de êxtase e/ou vivência?…

‘Os autores passaram quatro anos a investigar as vantagens desta revolução – da base da SEAL Team Six, ao festival Boom, do centro de formação da Red Bull à equipa de inovação da Nike. E o que aprenderam foi surpreendente: todos têm procurado o mesmo – o instante de descarga dos sentidos que proporciona uma nova visão das coisas’. *
Em Biodanza, chamamos a este instante: vivência! A vivência…
 
E conseguimo-lo com relativa frequência, todas as vezes que a praticamos, seja semanalmente em grupo regular, ou mensalmente nas Escolas de Biodanza.
 
A vivência é uma experiência intensamente vivida, aqui e agora, capaz de níveis de integração instintivo, cenestésico, emocional, sentimental e mental que levam à expansão da consciência e consequentemente, à alteração do comportamento.
 
Como sabemos, não basta saber, para mudar. Se assim fosse, não continuaríamos a seguir este caminho desastroso de consumo e poluição desenfreada. Mas, quando tivermos a vivência de sufoco, pelo ar poluído, ou a indisposição, pelo plástico ingerido, isso, porque vivido, alterará o comportamento, seguramente!
Será a tempo? É outra história…
 
Relacionando ainda, com o tema do livro e os estados de êxtase (vivências), quantos mais vivênciarmos, mais mudaremos o nosso comportamento (porque seguir penando???). Criadas estão as condições para uma vida mais plena e realizadora, que os autores remetem para o alto desempenho e eu traduziria. para a mais alta qualidade de vida.
 
É apaixonante, do ponto de vista da aprendizagem, a forma viva como actualmente o conhecimento se cruzada tal forma que a ciência, a arte, a medicina e até os grandes mistérios, danzam juntos.
 
Mais comentários virão, ao ritmo da vida…
 
* in Roubar o fogo, de Steven Kotler e Jamie Wheal
05 de Junho 2019
Ao ritmo da vida…
Nuno Pinto

Descanso, desliganço ou a arte de viver?

Parei esta 6ª feira, parei de tudo, ainda assim, porque a inércia da rotina no meu corpo é colossal, apenas desacelerei o suficiente para perceber, porque senti, que se não o fizer mais vezes, provavelmente a vida vai-me correr muito mal… entre rotinas familiares e profissionais, tem sobrado nada, para o meu surf, o meu ioga, a minha meditação, para a minha leitura, para o meu estudo, para a minha investigação e para o tempo de qualidade com minha mulher e amante e com os meus filhos… no corre, corre, ainda consigo ter uma média de tempo de écran ao telemóvel de 4h!!! Dá para imaginar? Estou a estourar a cabeça e o corpo a pagar, mas ao ler sobre estados de êxtase e a escrever sobre o principio biocêntrico, vem a gana toda de mudar! A primeira coisa que fiz, foi não andar com o telemóvel… ganhei 4h!!! Mas, o incrível é que mesmo parado, não parei, mesmo quieto, não aquietei, pois a inércia do quotidiano é avassaladora… um quotidiano, que sem se dar conta, exige, cobra, estimula, demanda, aprova e reprova e por mais recursos que se tenha (e eu tenho), se não se está completamente, presente e centrado (em vivência), a tua alcunha é o ‘já foste’… e é assim que me sinto: quase fui! Como ainda aqui estou, partilho-me na força da vida, que procura sempre uma forma de se expressar, saudável, plena, integrada e em busca do essencial: ação e repouso, expressão e imaginação, dar e receber, amar e ser amado, pensar e sentir…

Fui… viver isso tudo!

Nuno Pinto,

Ao ritmo da vida…

31 de Maio 2019

P.S.: só voltei hoje e tirei 2h30 de tempo de écran ao iPhone!!!

 

A Vida no centro, ou a minha perspetiva do princípio biocêntrico (para começar…)

A Vida no centro ou a minha perspetiva do princípio biocêntrico (para começar…)

 

Há anos que desejava começar a escrever  (livro encomendado, já tenho, há mais de 10 anos!!!), mas a Vida chamou para outras vidas. Pai de 4 filhos biológicos (Diana 22, Gustavo 13, Madalena 4, Joana 8m) e muitos ecológicos (incontáveis, em 19 anos de facilitação e formação). Isto tem levado a muitos adiamentos desta forma de expressão: a escrita.

 

Dia 14 de Maio de 2019, na minha última consulta com Nuno Michaels,  o chamamento ficou mais forte. Já na primeira consulta me tinha sugerido escrever, e muito. Também o ‘empurrão’ contínuo da minha querida amiga e colega, Ana Maria Silva, e o ‘tropeção’ no ‘Livro em Branco’, oferecido pela minha querida amiga Marta Rebelo, estão a contribuir para, finalmente, dar expressão à escrita.

 

Hoje, na contingência do quotidiano, bebendo um café na esplanada, com a minha Joana no marsúpio, com a Maggie, minha cadelinha, espojada, depois do passeio matinal, sentindo a brisa suave, olhando o mar ao longe, esperando a minha mulher, entro no fluxo, aceito, e escrevo… e é assim que eu gosto. Entregue ao fluxo!

 

Elaborar, refletir, pensar, sentir e escrever sobre o princípio biocêntrico é um desejo e um desafio antigo e vem na sequência dos imensas contribuições, quase autorais, de Rolando Toro Araneda, criador do maravilhoso sistema Biodanza. Este é o desafio de uma Vida, que quero abraçar, aceitando-o e aqui começando a senda…

 

Viver a vida como ela é, conectada, complexa, diversa, adaptada, fluída, evolutiva, temporal, do caos à ordem, rumo a uma ‘certa humanidade’, que ainda está por, ou para chegar. Ou, até já chegou, lá mais à frente no tempo, chamando agora para o presente!

 

Quero falar da vida, viver a vida, sentir a vida, desde a dança da vida, afinal além de ser quem sou, sou pai, filho, marido, amigo, sou muito dançarino. Danço a vida, faço Biodanza! É o meu trabalho, mas, acima de tudo, uma paixão, uma forma de expressão, uma forma de vinculação, que me permite ir além da família (biológica), contribuindo para a família ecológica, para uma outra humanidade…

 

Foi, acima de tudo, com a Biodanza, que tomei contacto com a sacralidade da vida, incorporada, encarnada, de forma extática. Esta sacralidade assenta no princípio biocêntrico, um convite à reverência à vida como centro, como princípio (início) e princípio (orientação) de tudo. Esta forma de civilização que fundámos (lá atrás com o início da sociedade agrícola) rompeu com a Vida, criando princípios de orientação direcionados para a religião, a família, a política, a economia, muitas vezes com valores anti-vida, com os resultados insustentáveis que conhecemos.

Então, primeiro que tudo, deve a Vida nortear, orientar, pautar as nossas escolhas, a nossa conduta, a nossa vida. Como agora, por exemplo, chama-me a Vida: a minha Joana está com fome, chora, imbuída do espírito de Vida nela presente e reclama pelo biberão….

 

Bom, voltando… em tantas culturas que o homem ‘civilizado’ criou, baseadas em projeções religiosas, partidárias, tribais, familiares, económicas, num claro exercício de poder exploratório, poucas assentaram nos valores ancestrais, de respeito e integração com a natureza, com a Vida. Ainda está por cumpri o ser cósmico de que Rolando Toro falava. E o princípio biocêntrico é um caminho essencial. Olhando a Vida, e hoje temos tantos olhares, quantas identidades viventes, ela expressa-se de forma plena, através da diversidade, da complexidade, da conectividade, da adaptabilidade, reciprocidade, ela traduz-se na nossa humanidade, através dos instintos, das sensações, das emoções, dos sentimentos e dos pensamentos. Poderemos considerar estes valores como vitais, como expressão do vivente. Valores como o sacrifício, a dor, a negação, a repressão são ‘invenções’ humanas, geradoras de culturas anti-vida.

 

Espero ter dado o mote, para desenvolver esta elaboração ao longo do tempo (temos muito…), procurando escrutinar este princípio, trazendo-o para as escolhas do dia-a-dia, à procura de cumprir um quotidiano, centrado na Vida, capaz de gerar mais vida, dentro da vida, que é como quem diz, mais alegria, prazer, expressão, vínculo, harmonia, consigo mesmo, com o outro, com o mundo.

 

A Vida como propulsor, através da expressão existencial da Identidade.

 

Fá-lo-ei inspirado por identidades que valorizam a Vida, tais como Rolando Toro, Yuval Harari, António Damásio, Byung-Chul Han, Edward Wilson, Theodore Zeldin, Richard Dawkins, Humberto Maturana, Francisco Varela, Nietzsche, Mircea Eliade, Joseph Campbell, Omraam Mikhael Aivanhov, Heráclito, Freud, Jung, Lacan, Winnecot, Garaudy, Chardin, Heiddeger, Sartre, Merleau Ponty, entre muitos outros…

 

Nuno Pinto,

Ao ritmo da vida…

23 de Maio 2019

 

P.S.: A Vida chama-me outra vez: mudar a fralda à minha Joana

Tecendo a história da Biodanza

Constatando que a psicoterapia de uma maneira geral fracassou na sua missão, pelo menos no que respeita ao comportamento global, e que o mundo sofre de diversas patologias, levando à sua auto-destruição e crise nas relações afetivas, Rolando Toro (1924-2010) demonstrou a necessidade de “criar uma poética das relações humanas, outro modo de perceção da vida”. Sua crença na possibilidade de um paraíso compartilhado o levou a procurar a fonte do “amor original”, do amor ao próximo. E então criou a Biodanza, um método vivencial, cujo objetivo é promover os potenciais saudáveis, a partir de encontros em grupo, mediados pela música e pela dança.

Nas suas experiências com músicas e danças desde 1964 em hospitais psiquiátricos, Rolando observou que a música era capaz de exercer influência no psiquismo. Foi a partir daí que ele começou a estruturar o seu trabalho –a que inicialmente intitulou de Psicodança-. Então ele criou danças e exercícios a partir de gestos naturais do ser humano, com finalidades precisas, afim de estimular a vitalidade, a criatividade, o erotismo, a comunicação afetiva entre as pessoas e o sentimento de pertença ao universo, à totalidade.

A partir dos anos 70, e à medida que novas conceções científicas sobre a vida íam aparecendo, Toro chegou à conclusão de que a essência do desenvolvimento humano não está nos aspetos psicológicos, e sim nos biológicos. Em 1976 incorporou ao modelo teórico as linhas de vivência e os primeiros conceitos da teoria da vivência e protovivências. E o termo psicodança acabou por ser substituído por Biodanza em 1979, devido ao entendimento do seu criador, de que a vida é o princípio de tudo o que existe. Nada menos do que uma mudança do paradigma antropocêntrico para o biocêntrico!

Assim, “a base conceitual da Biodança provém de uma meditação sobre a vida, ou talvez do desespero do desejo de renascer de nossos gestos despedaçados, de nossa vazia e estéril estrutura de repressão (…). Mais que uma ciência é uma poética do encontro humano, uma nova sensibilidade frente à existência” (Toro, 2002).

Para o esforço de fortalecimento e difusão da Biodança contribuíram vários eventos no Brasil, para onde Toro foi residir a partir dos anos 70 (para difundir a Biodanza Rolando morou sucessivamente no Chile, na Argentina, no Brasil e em Itália), e a sistematização da Teoria da Biodanza (2 tomos editados em 1991 pela ALAB), e na publicação dos catálogos de músicas e exercícios, que levaram à unificação do programa de formação, comum agora a todas as Escolas de Biodanza através do mundo.

Porque com efeito, o movimento começou a crescer cada vez mais, o que é atestado pela criação anual de novas escolas de formação de facilitadores por todo o mundo (principalmente no Brasil, onde a Biodanza chegou em 1976, com o maior número de escolas, seguido por Espanha e Itália. Em Portugal há 2 escolas em funcionamento (Porto e Lisboa) e uma terceira a emergir (Faro), e no aumento de grupos regulares que a praticam (abarcam cerca de 7.500 praticantes no nosso país). Mas o movimento está difundido por todo o mundo, incluindo países da América Latina, Europa (desde 1984, pela filha de Rolando, Verónica Toro e seu marido Raúl Terren), Canadá, Japão e África do Sul, tuteladas (modelo de franquia) pela Fundação (IBF- Internacional Biocentric Foudation) criada por Rolando.

No âmbito internacional há um grupo de investigadores vinculados à Internacional Biocentric Foundation através da rede BIONET (www.biodanza.org) e à Universidade de Leipzig (Alemanha). Há ainda, desde 2004, uma revista Pensamento Biocêntrico (Brasil), que divulga artigos científicos periódicamente sobre os aspetos teóricos e a experiência prática da Biodanza. É de salientar que a maior parte desses colaboradores são, senão facilitadores, pelo menos praticantes de Biodanza. De um modo geral, observa-se que as pesquisas sinalizam alguns aspectos pelos quais a Biodanza pode ser compreendida como uma metodologia propulsora da realização humana, entre os quais: a reeducação afetiva, o cuidado solidário, a promoção da saúde, o desenvolvimento da criatividade e o fortalecimento de uma identidade positiva.

A Biodanza chegou a Portugal em 1998, e as primeiras aulas foram facilitadas pela então diretora da Escola de Biodanza de Madrid, Margarite Karger e seu marido Roberto Mirelman. Decorriam durante o final de semana, uma vez por mês, e desta primeira formação saíram 12 participantes, de entre os quais iniciaram grupos Manuela Robert (com crianças e escolas no concelho de Cascais entre 2001 e 2006), e Nuno Pinto (o único Facilitador a ter Grupos Regulares para adultos entre 2001 e 2008), tendo este último tornado-se a referência da Biodanza em Portugal.

Em 2003 e, com vista a consolidar o seu grupo regular de integração (ou seja, participantes comprometidos semanalmente com a Biodanza), Nuno Pinto iniciou uma parceria com António Sarpe, da Escola do Rio de Janeiro, de quem colheu a sabedoria e experiência, e que originou “um casamento”, do qual resultou a construção e consolidação da Biodanza em Portugal, até aos dias de hoje.

Em parceria fundaram as Escolas de Biodanza Sistema Rolando Toro (SRT) do Porto (em 2004, – e que tem hoje por Diretor Nuno Pinto, que entretanto também se tornou Didata em 2010) e de Lisboa (em 2008, – cujo Diretor é atualmente António Sarpe) que formam Facilitadores de Biodanza (ciclo de 3 anos). Como refere Rolando Toro relativamente aos Facilitadores “nossa tarefa não é simplesmente exercer uma profissão, senão realizar a missão de induzir uma mudança interior de respeito e profunda solidariedade humana, (…) em mostrar novos caminhos de exercitar amor e despertar a consciência iluminada”.

A partir de 2008, e com o término da formação da Turma I, surgiram vários outros Facilitadores, que agora espalhados pelo país, começaram a promover a Biodanza em Portugal, através da abertura de Grupos Regulares e outros encontros pontuais (open-classes; encontros em Festivais; etc). Em 2011 já havia cerca de duas dezenas de facilitadores em ação. E “a cada término de formação de Escolas de Biodanza em Portugal há um aumento considerável de grupos regulares; cada vez mais, a Biodanza é menos incomum e mais acessível geograficamente ao cidadão português” (Neusa Tobias). (Para saber +: http://www.escolabiodanzasrt.com)

Também nas instituições de ação social e educacional, iniciada em 2001, a Biodanza tem vindo a ter uma expressão cada vez mais relevante (escolas secundárias, infantários, estabelecimentos prisionais, universidades sénior, hospitais e centros de saúde). E o V Congresso Europeu de Biodanza, organizado em Portugal, em 2014, veio dar ainda maior visibilidade ao movimento, ampliando o número de convites aos facilitadores titulados e/ou didatas de Portugal, sendo atualmente a sua participação frequente em maratonas de escola, workshops, apresentação de trabalhos, congressos, encontros e festivais, quer em Portugal como no estrangeiro.

Conscientes da necessidade de desenvolver um movimento estruturado, orgânico e biocêntrico foi lançado em 2011 o Núcleo de Facilitadores, que acabou por ser substituída pela APFB – Associação Portuguesa de Facilitadores de Biodanza em 2015 (http://apfbiodanza.pt) e que tem a cargo, entre outras atividades, a Comemoração do Dia Mundial da Biodanza (este ano comemorado a 23 de Abril) e do Festival Lusitano de Biodanza (a realizar em 18 de Junho), e a divulgação dos contatos e atividades dos seus sócios.

Como escreveu Rolando Toro “a comunidade de Biodanza continua a perseguir a mais nobre tarefa que a nossa existência pode abraçar: devolver ao mundo a sacralidade da vida”, por isso acredito que muito mais haverá para contar nos próximos anos, sobre o movimento em Portugal e no mundo.

(Texto: Leonor Gandra)

Porquê fazer Biodanza?

Com certeza já lhe aconteceu ao dançar numa festa, sentir aquela fusão com uma determinada música que o levou ao êxtase, e lhe deu vontade de recomeçar a experiência. Nessa altura sentiu-se leve e sensível, seus movimentos surgiram das entranhas fazendo-o viajar para um estado de ânimo diferente que o emocionou, e gerou uma enorme sensação de amor e bem-estar. Pena que tivesse sido tão passageiro.

De facto, cada instante vivido, de forma consciente ou não, desencadeia processos internos em nosso ser (com respostas neuro-endócrinas e imunológicas) que alteram os nossos estados mentais, e que estão diretamente conectados com o nosso corpo e as nossas atitudes diante da vida. Infelizmente, face ao nosso atual estilo de vida, vivemos amiúde das vezes de forma dissociada, gerando estados desarmoniosos e stressantes que originam aliás bastantes doenças e desequilíbrios.

Em Biodanza, entendemos a dança como um elemento muito poderoso capaz de gerar sensibilidade, empatia, solidariedade, alegria, amor, …. aquilo que os cerca de 2.500 praticantes da “Dança da Vida” em Portugal  relatam como um sentimento de bem-estar que perdura no seu quotidiano, e que os traz semanalmente às aulas em grupo regular.

Então, qual é o segredo da Biodanza?

A maior parte das disciplinas corporais não se vinculam à vivência nem às emoções, levando a uma dissociação afetivo-motora. A Biodanza, pelo contrário, tem um repertório de exercícios e de danças cuja finalidade é ativar os movimentos humanos, onde para além da postura e da criação, também são tidos em conta a espontaneidade, o contacto, a carícia, a intencionalidade do movimento entre outros aspetos. A música criteriosamente selecionada tem o condão de atuar sobre os nossos sentimentos, provocando movimentos no nosso corpo. Estes movimentos, que se manifestam através de impulsos naturais e instintivos, promovem o surgimento de sensações e sentimentos, muitos deles retraídos pela nossa educação e regras sociais. Utilizando estímulos positivos portanto, como a música orgânica, o movimento sensível e as vivências integradoras, a Biodanza tem-se mostrado, um caminho muito eficaz para promover e restaurar o nosso bem-estar e equilíbrio orgânico, desde que praticado com regularidade. Desta feita a biodanza não é nem uma técnica ou estilo de dança, nem uma terapia, mas sim um processo de Desenvolvimento Humano. É uma pedagogia da arte de viver.

Ser natural | verdadeiro | orgânico na dança implica em oferecer ao corpo possibilidades de movimentos plenos de sentido, despojando-o dos clichés que trazem à memória padronizações de corpos e bailados, por isso não é necessário saber dançar para se praticar esta modalidade. A dança orgânica aumenta a nossa consciência corporal, melhorando a nossa postura e perceção de nós mesmos, reforça a nossa identidade e gera uma autoestima positiva. Dissolve ainda tensões musculares, permitindo maior flexibilidade, agilidade, equilíbrio e leveza nos movimentos, e, com isso, passamos a introduzir esse padrão físico à nossa existência, tornando-a mais criativa e prazerosa. A música atua sobre o sistema nervoso neurovegetativo (simpático e parassimpático), sobre os neurotransmissores, sobre o sistema endócrino e imunológico, respiratório e cardiovascular, influenciando assim todas as funções vitais básicas. Essas experiências vão, aos poucos, construindo uma base neurofisiológica que promove uma integração afetivo-motora capaz de trazer ao quotidiano do praticante, os elementos que ele vivencia em suas danças.

A Biodanza foi criada na década de 60 pelo antropólogo e psicólogo chileno Rolando Toro Araneda (1924-2010) como um sistema de integração afetiva e desenvolvimento humano, baseado em vivências criadas através de movimentos de dança usando, para isso, um conjunto de músicas selecionadas. As aulas são sempre efetuadas num contexto de grupo, sendo que cada sessão de Biodanza tem aproximadamente duas horas: 15 minutos de introdução teórica, que serve para elaborar o tema do mês à luz dos princípios biocêntricos que norteiam a Biodanza;15 minutos de perguntas e partilha verbal por parte dos praticantes, que serve para falar das sensações e emoções vividas pelos participantes em cada sessão e 90 minutos de vivência para deixar o mundo das ideias e passar ao mundo vivido e dançado.

E siga a dança, mas ao ritmo da vida orgânica que origina a vida: ritmo biológico, ritmo do coração, da respiração e do impulso de vinculação da espécie.

Nuno Pinto

Todas as 5ª | às 20h | Local: Rua rodrigues sampaio nº 19A (metro Avenida), em Lisboa.

Definição de Biodanza

Biodanza é um sistema de integração humana, renovação orgânica, reeducação afetiva e reaprendizado das funções originárias da  vida. Sua metodologia consiste em induzir vivências integradoras por meio da musica, do canto , do movimento e de situações de encontro em grupo.

O significado dos termos utilizados para esta definição está escrito aqui em forma mais explícita para sua melhor compreensão (in http://biodanza.org/pt/biodanza/definicion-de-biodanza):

 INTEGRAÇÃO HUMANA

Em Biodanza o processo de integração atua mediante estimulação das funções primordiais da conexão com a vida, que permite cada indivíduo integrar-se a si mesmo, a espécie e ao universo.

RENOVAÇÃO ORGÂNICA

É a ação sobre a auto regulação orgânica, induzida principalmente mediante a estados especiais de transe, que ativam processos de renovação celular e regulação global das funções biológicas, diminuindo os fatores de desorganização e estresse.

REEDUCAÇÃO AFETIVA

É a capacidade de estabelecer vínculos com outras pessoas.

REAPRENDIZAGEM DAS FUNÇÕES ORIGINÁRIAS DE VIDA

É aprender a viver a partir dos instintos. O instinto é uma conduta inata , hereditária, que não requer aprendizado e se manifesta mediante estímulos específicos, tendo como objetivo conservar a vida e permitir sua evolução.

Os instintos representam a natureza em nós, e sensibilizar-se a eles significa restabelecer a ligação entre natureza e cultura

VIVÊNCIAS INTEGRADORAS

É uma experiência vivida com grande intensidade no aqui agora com qualidade ontológica (se projeta sobre toda a existência), na Biodanza as vivências são integradoras por que possuem um efeito harmonizador em si mesmas.

As vivencias na Biodanza estão orientadas para estimular os potenciais de vitalidade, sexualidade, criatividade, afetividade e transcendência, denominados Linhas de Vivencia.