Tecendo a história da Biodanza

Constatando que a psicoterapia de uma maneira geral fracassou na sua missão, pelo menos no que respeita ao comportamento global, e que o mundo sofre de diversas patologias, levando à sua auto-destruição e crise nas relações afetivas, Rolando Toro (1924-2010) demonstrou a necessidade de “criar uma poética das relações humanas, outro modo de perceção da vida”. Sua crença na possibilidade de um paraíso compartilhado o levou a procurar a fonte do “amor original”, do amor ao próximo. E então criou a Biodanza, um método vivencial, cujo objetivo é promover os potenciais saudáveis, a partir de encontros em grupo, mediados pela música e pela dança.

Nas suas experiências com músicas e danças desde 1964 em hospitais psiquiátricos, Rolando observou que a música era capaz de exercer influência no psiquismo. Foi a partir daí que ele começou a estruturar o seu trabalho –a que inicialmente intitulou de Psicodança-. Então ele criou danças e exercícios a partir de gestos naturais do ser humano, com finalidades precisas, afim de estimular a vitalidade, a criatividade, o erotismo, a comunicação afetiva entre as pessoas e o sentimento de pertença ao universo, à totalidade.

A partir dos anos 70, e à medida que novas conceções científicas sobre a vida íam aparecendo, Toro chegou à conclusão de que a essência do desenvolvimento humano não está nos aspetos psicológicos, e sim nos biológicos. Em 1976 incorporou ao modelo teórico as linhas de vivência e os primeiros conceitos da teoria da vivência e protovivências. E o termo psicodança acabou por ser substituído por Biodanza em 1979, devido ao entendimento do seu criador, de que a vida é o princípio de tudo o que existe. Nada menos do que uma mudança do paradigma antropocêntrico para o biocêntrico!

Assim, “a base conceitual da Biodança provém de uma meditação sobre a vida, ou talvez do desespero do desejo de renascer de nossos gestos despedaçados, de nossa vazia e estéril estrutura de repressão (…). Mais que uma ciência é uma poética do encontro humano, uma nova sensibilidade frente à existência” (Toro, 2002).

Para o esforço de fortalecimento e difusão da Biodança contribuíram vários eventos no Brasil, para onde Toro foi residir a partir dos anos 70 (para difundir a Biodanza Rolando morou sucessivamente no Chile, na Argentina, no Brasil e em Itália), e a sistematização da Teoria da Biodanza (2 tomos editados em 1991 pela ALAB), e na publicação dos catálogos de músicas e exercícios, que levaram à unificação do programa de formação, comum agora a todas as Escolas de Biodanza através do mundo.

Porque com efeito, o movimento começou a crescer cada vez mais, o que é atestado pela criação anual de novas escolas de formação de facilitadores por todo o mundo (principalmente no Brasil, onde a Biodanza chegou em 1976, com o maior número de escolas, seguido por Espanha e Itália. Em Portugal há 2 escolas em funcionamento (Porto e Lisboa) e uma terceira a emergir (Faro), e no aumento de grupos regulares que a praticam (abarcam cerca de 7.500 praticantes no nosso país). Mas o movimento está difundido por todo o mundo, incluindo países da América Latina, Europa (desde 1984, pela filha de Rolando, Verónica Toro e seu marido Raúl Terren), Canadá, Japão e África do Sul, tuteladas (modelo de franquia) pela Fundação (IBF- Internacional Biocentric Foudation) criada por Rolando.

No âmbito internacional há um grupo de investigadores vinculados à Internacional Biocentric Foundation através da rede BIONET (www.biodanza.org) e à Universidade de Leipzig (Alemanha). Há ainda, desde 2004, uma revista Pensamento Biocêntrico (Brasil), que divulga artigos científicos periódicamente sobre os aspetos teóricos e a experiência prática da Biodanza. É de salientar que a maior parte desses colaboradores são, senão facilitadores, pelo menos praticantes de Biodanza. De um modo geral, observa-se que as pesquisas sinalizam alguns aspectos pelos quais a Biodanza pode ser compreendida como uma metodologia propulsora da realização humana, entre os quais: a reeducação afetiva, o cuidado solidário, a promoção da saúde, o desenvolvimento da criatividade e o fortalecimento de uma identidade positiva.

A Biodanza chegou a Portugal em 1998, e as primeiras aulas foram facilitadas pela então diretora da Escola de Biodanza de Madrid, Margarite Karger e seu marido Roberto Mirelman. Decorriam durante o final de semana, uma vez por mês, e desta primeira formação saíram 12 participantes, de entre os quais iniciaram grupos Manuela Robert (com crianças e escolas no concelho de Cascais entre 2001 e 2006), e Nuno Pinto (o único Facilitador a ter Grupos Regulares para adultos entre 2001 e 2008), tendo este último tornado-se a referência da Biodanza em Portugal.

Em 2003 e, com vista a consolidar o seu grupo regular de integração (ou seja, participantes comprometidos semanalmente com a Biodanza), Nuno Pinto iniciou uma parceria com António Sarpe, da Escola do Rio de Janeiro, de quem colheu a sabedoria e experiência, e que originou “um casamento”, do qual resultou a construção e consolidação da Biodanza em Portugal, até aos dias de hoje.

Em parceria fundaram as Escolas de Biodanza Sistema Rolando Toro (SRT) do Porto (em 2004, – e que tem hoje por Diretor Nuno Pinto, que entretanto também se tornou Didata em 2010) e de Lisboa (em 2008, – cujo Diretor é atualmente António Sarpe) que formam Facilitadores de Biodanza (ciclo de 3 anos). Como refere Rolando Toro relativamente aos Facilitadores “nossa tarefa não é simplesmente exercer uma profissão, senão realizar a missão de induzir uma mudança interior de respeito e profunda solidariedade humana, (…) em mostrar novos caminhos de exercitar amor e despertar a consciência iluminada”.

A partir de 2008, e com o término da formação da Turma I, surgiram vários outros Facilitadores, que agora espalhados pelo país, começaram a promover a Biodanza em Portugal, através da abertura de Grupos Regulares e outros encontros pontuais (open-classes; encontros em Festivais; etc). Em 2011 já havia cerca de duas dezenas de facilitadores em ação. E “a cada término de formação de Escolas de Biodanza em Portugal há um aumento considerável de grupos regulares; cada vez mais, a Biodanza é menos incomum e mais acessível geograficamente ao cidadão português” (Neusa Tobias). (Para saber +: http://www.escolabiodanzasrt.com)

Também nas instituições de ação social e educacional, iniciada em 2001, a Biodanza tem vindo a ter uma expressão cada vez mais relevante (escolas secundárias, infantários, estabelecimentos prisionais, universidades sénior, hospitais e centros de saúde). E o V Congresso Europeu de Biodanza, organizado em Portugal, em 2014, veio dar ainda maior visibilidade ao movimento, ampliando o número de convites aos facilitadores titulados e/ou didatas de Portugal, sendo atualmente a sua participação frequente em maratonas de escola, workshops, apresentação de trabalhos, congressos, encontros e festivais, quer em Portugal como no estrangeiro.

Conscientes da necessidade de desenvolver um movimento estruturado, orgânico e biocêntrico foi lançado em 2011 o Núcleo de Facilitadores, que acabou por ser substituída pela APFB – Associação Portuguesa de Facilitadores de Biodanza em 2015 (http://apfbiodanza.pt) e que tem a cargo, entre outras atividades, a Comemoração do Dia Mundial da Biodanza (este ano comemorado a 23 de Abril) e do Festival Lusitano de Biodanza (a realizar em 18 de Junho), e a divulgação dos contatos e atividades dos seus sócios.

Como escreveu Rolando Toro “a comunidade de Biodanza continua a perseguir a mais nobre tarefa que a nossa existência pode abraçar: devolver ao mundo a sacralidade da vida”, por isso acredito que muito mais haverá para contar nos próximos anos, sobre o movimento em Portugal e no mundo.

(Texto: Leonor Gandra)

EM CONJUNTO NO DIA 1 VAMOS CELEBRAR HALLOWEEN | SAMHAIM

Este ano voltamos a poder gozar do feriado no Dia de Todos os Santos, que se comemora a 1 de Novembro, e que leva alguns de nós a rumar aos cemitérios, e as crianças a saírem à rua, e a juntarem-se em pequenos grupos para pedir o “Pão por Deus” de porta em porta. Para alguns autores, o que se festeja nesse dia é na realidade uma tradição milenar, ou seja, um rito pagão que a Igreja Católica transformou numa festa em “honra a todos os santos, conhecidos e desconhecidos”, e que também conhecemos sob o nome de Halloween ou Dia das Bruxas.

 

O Halloween foi levado para os Estados Unidos em 1840, por imigrantes irlandeses. Acredita-se que foi criado no século V (a.C), pelo povo Celta que habitava nos países da Irlanda (maioria), Inglaterra e França. De facto para os Celtas, a noite de 31 de Outubro correspondia ao início do ano, com o começo do Inverno, e era conhecido pelo nome de Samhaim (que significa sem sol).

 

Nessa noite o deus Sol morria e o mundo mergulhava na escuridão; a deusa ía ao mundo das sombras à procura do seu amado; depois de se amarem e, fruto desse amor, a semente de Luz esperava no útero da Mãe para renascer no solstício do inverno seguinte. Os Celtas acreditavam que, à medida que os dias encurtavam, era preciso revitalizar o Sol por meio de vários rituais e sacrifícios. Por isso, este Festival correspondia a uma época de meditação e reflexão, sobre os ciclos da vida e da morte na natureza. E era também uma época propícia para se conectar com a energia dos antepassados, pois segundo essa cultura pagã, nessa noite as cortinas do Outro Mundo abriam-se, e assim podia-se enviar mensagens de amor e harmonia aos defuntos.

 

Semelhantes às sementes enterradas na matriz telúrica, Mircea Eliade crê que os mortos esperavam o seu regresso à vida sob uma nova forma. É por isso que eles se aproximavam dos vivos, atraídos pelo mistério do renascimento, sobretudo nos momentos em que a tensão vital das comunidades atingia o seu máximo, quer dizer, nas festas chamadas da fertilidade, quando as forças da natureza e do grupo humano eram evocadas, desencadeadas e exacerbadas pelos rituais.

 

Outrora, os banquetes tinham lugar perto dos próprios túmulos, para que o defunto pudesse participar do excedente vital desencadeado perto dele. Os Celtas costumavam-se vestir com máscaras assustadoras para afastar os espíritos e as bruxas. Velas, lanternas de abóbora e fogueiras eram acesas para aquecer e iluminar as almas, e guiá-las no seu caminho. Eles queimavam ainda simbolicamente no caldeirão ou nas fogueiras, todas as suas frustrações e ansiedades do ano anterior.

 

A noite era de festa, para afastar a tristeza da morte, e os jogos eróticos eram habituais. Tempo de caos por excelência, tempo singular em que homens e espíritos, entidades benéficas e maléficas, vivos e mortos podiam coexistir. O festim colectivo (o nosso actual Magusto, sendo a castanha um símbolo de eternidade e o ouriço um símbolo erótico) representava justamente esta concepção de energia vital, com todos os excessos que isso implicava.

 

Das energias primevas emergia então um novo tempo: um novo mundo, regenerado e recriado. A perfeição do começo exigia a destruição do velho; a mudança exigia uma imersão cíclica no caos, no limbo primevo, condição purificadora indispensável a um novo começo. Começo gerado a partir do nada, da ruptura! Um novo mundo tornava-se possível apenas através de um regresso às origens, aos primórdios, que o mito consagra e o rito permite.

 

No processo de desenvolvimento humano proposto pela Biodanza também estamos em constante mutação e transformação, em contínua morte e ressurreição. A Biodanza é, por isso, muito mais do que um conjunto de exercícios corporais com músicas, que se pratica em grupo; é também e principalmente uma nova visão da vida. Onde renascer significa abandonar o antigo estado para nascer para uma nova vida, o que irá reforçar a Identidade. Rolando Toro (o criador chileno da Biodanza) gostava de lembrar que “quem não renasce a cada dia começa a morrer”.

 

Nunca é demais salientar que a Biodanza propõe uma cultura para a vida, opondo-se nitidamente aos actuais valores culturais que conduzem à destrutividade e à morte. Sendo o seu paradigma filosófico fundamental o princípio biocêntrico (todo o universo, inclusive os seres humanos, está organizado em função da vida), e os exercícios organizados a partir de um modelo teórico baseado nas ciências da vida (biologia, antropologia, psicologia e sociologia), sua acção visa resgatar a sacralidade da vida. E isso dançaremos no próximo dia 1 de Novembro, em conjunto (Grupo de Integração + Grupo de Aprofundamento.

 

E siga a dança….

No sítio do costume, às 20:00 e até apetecer

 

biodanzanunopinto@gmail.com

www.biodanzanunopinto.pt

 

 

VEM CELEBRAR A VIDA – PRÉ CURSO DE BIODANZA ( Julho e Agosto)

A Dança é celebração… mas o que será esta febre, capaz de se apoderar de qualquer criatura (até as aves dançam) e agitá-las até ao frenesim, senão a manifestação muitas vezes explosiva do instinto da vida, que apenas aspira a rejeitar toda a dualidade do temporal para reencontrar de uma só vez a unidade primeira em que corpos e almas, visível e invisível se encontram e se fundem, fora do tempo, num só êxtase? Como atingir essa libertação com a dança da vida – a Biodanza?

O convite que vos faço para este final de Julho e todo o mês de Agosto, é o de participar numa sequência de 5 Aulas Abertas (que também poderemos chamar de pré-curso), para descobrir e recuperar o sabor e o êxtase de viver uma vida inteira e plena, através da Biodanza, um método vivencial criado pelo chileno Rolando Toro (1924-2010) e que se pratica em grupo, semanalmente, de forma regular. É um processo, pelo facto de ajudar na integração dos pressupostos que a Biodanza incorpora na integração da identidade: expressar-se nos 3 níveis de conexão (eu, eu-tu, eu-nós) e nos 5 potenciais genéticos (vitalidade, sexualidade, criatividade, afectividade e transcendência), de forma a ajudar a responder às principiais questões existenciais (onde viver? com quem viver? o que fazer?) e assim ter recursos para adoptar um estilo de vida mais saudável e gerador de saúde e bem-estar.

Apesar da dança só per si trazer inúmeros benefícios aos seus praticantes, a Biodanza é, especificamente, um meio de desenvolvimento humano, e não um trabalho corporal que vise alcançar uma determinada performance física, ou uma expressão apenas com finalidade lúdica. O propósito da Biodanza vai muito para além disso, porque foi concebida como um modo de promover a expressão dos potenciais saudáveis do ser humano e a alegria de viver, através de encontros em grupo, mediados pela música e pela dança. Uma forma de “ser no mundo” que expressa (segundo o princípio biocêntrico) o movimento de conexão com a vida e a integração do homem ao universo, privilegiando assim movimentos mais espontâneos, porque como escreveu Garaudy “se pudéssemos dizer uma certa coisa, não precisaríamos dançá-la”.

Em todas as vivências os participantes são convidados a expressar-se conforme as suas possibilidades, procurando escutar o seu corpo e criar uma dança própria, induzida pela música; o movimento nasce de dentro para fora, conforme a vontade e o sentir de cada um, embora pautado pelo facilitador. Na vivência, e pela comovente sensação de estar vivo,  o participante conecta-se com sua natureza e com um saber primordial que existe em seu próprio corpo, cujos instintos, o guiam à auto regulação da vida. Nas vivências, a dança promove uma percepção mais integrada de si mesmo, na qual o eu não se coloca como objecto sobre o qual se procura reflectir, mas como sujeito que se compreende em sua verdade vivida. Nelas não há dissociação entre mente e corpo, mas um corpo que, por meio do movimento, bebe na fonte da vida. Trabalha-se assim o corpo e vai-se desenvolvendo uma consciência ampliada de si mesmo e do mundo.

Cabe pois a cada um de nós aproveitar as situações criadas pelo facilitador através das danças de cada uma das Linhas de Vivência (vitalidade, sexualidade, criatividade, afectividade e transcendência) para experienciar o limite de nossa capacidade vivencial, e isso num ambiente protegido, acolhedor e afectivo que é o grupo de Biodanza. Cada uma das linhas de vivência representa um modo de expressão das nossas potencialidades genéticas.

É a partir da potencialidade genética e dos estímulos do ambiente, que o processo evolutivo gerou a sua diferenciação, que fazem da existência uma aventura livre e singular. E o meu convite será o de, cada semana (já a partir desta quinta-feira dia 28 de Julho), vos mostrar em que consiste cada uma dessas linhas, dançando-as, tal como proposto por Rolando Toro.

  • 28 de Julho | VITALIDADE expressa-se pela saúde, ímpeto vital (motivação para a acção) e pela alegria de viver. Algumas características que nos podem dar uma impressão geral de vitalidade ajudando-nos a reconhecê-la são: a harmonia e vigor dos gestos, o brilho e a intensidade do olhar; a agilidade dos movimentos, a expressão da voz e a facilidade para rir.
  • 4 de Agosto |SEXUALIDADE visa encontrar o caminho do prazer, sendo o prazer sexual uma forma de prazer mais geral de viver. A capacidade de prazer manifesta-se de diferentes maneiras, mas podemos ter os seguintes aspectos: a receptividade ao contacto corporal e à carícia, a ausência de culpabilidade, a capacidade de feedback, a sedução, a expressão do desejo e a sensibilização corporal.
  • 11 de Agosto | CRIATIVIDADE baseia-se no instinto exploratório e nos impulsos de inovação presentes nos organismos vivos, e a Biodanza pretende resgatar nossa criatividade reprimida.
  • 18 de Agosto | A vida é curso, mas também tem os seus desvios e neste teremos um tema surpresa que brevemente anunciaremos 🙂
  • 25 de Agosto | AFECTIVIDADE diz respeito à relação com o outro, mediada por nossas emoções e afectos. Na Biodanza procura-se que a afectividade encontre como forma de expressão privilegiada o amor (diferenciado dirigido a uma só pessoa, e indiferenciado dirigido à humanidade). E é, como expressou Rolando, na “relação com o outro que tenho notícias de mim”.
  • 1 de Setembro | TRANSCENDÊNCIA expressa-se através da nossa capacidade de “ir mais além” e na harmonização com a natureza ou na união com o próximo, a partir de uma sensação de conexão, por meio da qual o homem se percebe como parte de um todo maior.

Tal como diz o ditado “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, por isso o meu convite é para que experimentes este processo, que leva o seu tempo a percorrer, e venhas a estas 5 Aulas Abertas, prenúncio do que desenvolveremos, de forma mais aprofundada no próximo ano do grupo – curso regular que se iniciará em Setembro, neste caminho de construção e integração da identidade, do prazer e do êxtase.

Vem daí vivenciar uma experiência alternativa, baseada em uma cultura do amor e sentimento e no desenvolvimento de relações sociais pautadas na reciprocidade. Como escreveu Maurice Béjart “a palavra divide. A dança é união. União do homem com seu próximo. União do indivíduo com a realidade cósmica”.

Espero por ti às Quintas | 20:00

Na Rua Rodrigues Sampaio, nº 19A (metro avenida) | Lisboa

Para mais informações e inscrições: 962894374 ou através biodanzanunopinto@gmail.com

ESTÁ A CHEGAR A HORA DE SE CUMPRIR PORTUGAL… DANÇANDO

No dia 10 de Junho convido-vos a vivenciar o mito do V Império, tanto em Lisboa como no Porto, num acto simbólico que celebra e reverencia a sacralidade da vida.  O objetivo é, através desta primeira recriação simbólica poderem experimentar um momento mágico, um novo olhar sobre o mundo e si mesmo, saindo do tempo da neurose para entrar no tempo da missão, da esperança e do amor. Como num ritual iniciático (representação ativa do mito) que leva ao confronto com a morte de certas realidades, à permissão de contactar com o novo, e retornar a uma condição primordial. Só então se tem acesso ao conhecimento dos mistérios… do coração e da vida.

Alguns mitos que circulam no imaginário ocidental surgiram como narrativas utilizadas pelos povos gregos para contar a origem do mundo e do homem, explicar factos da realidade e fenómenos da natureza utilizando-se de muitos símbolos, deuses, heróis e personagens sobrenaturais, relacionados com alguma data ou religião. Tudo misturado a factos reais, características humanas e pessoas que realmente existiram, com o objetivo de transmitir o conhecimento e explicar através de rituais em cerimónias, danças, orações e sacrifícios, o que a ciência não havia explicado. Excusado será explicar porque, desde o advento do racionalismo, a mitologia desapareceu da paisagem, particularmente nas sociedades ocidentais, desconectando-nos com a vida divina que há em nós.

Foi o psicólogo Jung (1875-1961) o responsável pela mudança dessa percepção, tendo escrito que “nenhuma ciência irá algum dia substituir o mito, e o mito não pode ser criado por nenhuma ciência”, pois considerava-o uma expressão do inconsciente coletivo universal. Composto de arquétipos -como o herói, a mulher sábia, o velho, etc- presentes em nossa psique primitiva, as suas raízes estão nas experiências vividas repetidamente por incontáveis gerações ao longo da evolução da espécie humana, de modo que acabaram por tornar-se uma porção atávica do nosso psiquismo, padrões herdados mas não conscientes, e universais porque evocam sentimentos, imagens e comportamentos com os quais todos, de uma forma ou outra, nos identificamos. São sentidos como numinosos e expressam-se de forma simbólica.

Também Joseph Campbell (1904-1987) conhecido pelos seus trabalhos sobre a mitologia revelou que a mitologia em si, era um roteiro para a autodescoberta, tendo escrito que “é a canção do universo – música que nós dançamos mesmo quando não somos capazes de reconhecer a melodia. Mitos são aquilo que os seres humanos têm em comum, são histórias de nossa busca da verdade, de sentido, de significação através dos tempos”. Apostou mais no simbolismo, significado e imagens do mito. Interessou-se particularmente pela jornada do herói, importante porque transmite verdades universais sobre si mesmo ou seu papel na sociedade.

Para iluminar os aspectos arcaicos da Biodanza, também Rolando Toro utilizou os mitos, nomeadamente de (i) Deméter (sacralização da natureza e busca de estados de expansão de consciência), (ii) Dionísio (alegria de viver,a busca do prazer e do êxtase e a liberação da profunda potencialidade instintiva através da dança), (iii) Orfeu (o poder da música, do canto e da poesia, capaz de induzir processos de transformação no ânimo humano) e ainda o arquétipo de (iv) Cristo (pelo amor ao próximo, humildade e misericórdia).

No caso do V Império o mito fez-se história com D. Afonso Henriques no sonho crístico de Ourique em que ficou incumbido de levar a mensagem de Cristo -a mensagem do monarca universal- dentro de um espírito de fraternidade, sem violência, aos quatro cantos do mundo. Os cavaleiros templários deram corpo a essa missão, embora em segredo. Devido à inquisição a missão templária foi-se cristalizando cada vez mais através de D. Dinis, da Rainha Santa Isabel com o culto do Espirito Santo e, por fim com quase todos os navegadores lusos também eles iniciados (na Ordem de Cristo).

E hoje Portugal, Fernando Pessoa falava de “Falta cumprir-se Portugal”. Será que ainda existe alguma forma de cumprir a missão que falta (a de unir todos os povos pelo Espírito Santo)?

Como refere Eduardo Amarante (2009, 2016) “no inconsciente colectivo do povo português mesclam-se dois sentimentos antagónicos: o de sermos herdeiros ou descendentes de um passado histórico glorioso e o de estarmos atolados desde há séculos num ambiente de mediocridade a vários níveis”. Tão bem ilustrada nos tempos actuais pelas condições impostas pelas organizações internacionais. Essas condições e um espaço geográfico reduzido levaram o gene luso a expandir-se pelos 5 continentes, deixando a sua semente (capacidade inata de integrar e se integrarem no meio que os rodeia de forma pacífica e tolerante) e inventando a “verdadeira globalização” –aquela que tem aspetos positivos-, assente nos valores da fraternidade e agora mais claramente também nos biocêntricos.

É uma recriação, num outro plano, da aventura das Descobertas. É como um sopro sagrado que vem desde o início dos tempos e ficou gravado na nossa alma, forma de ser e tradições e que nos determina como povo, com uma identidade própria, das mais antigas da Europa.

Chegou pois a hora para coletivamente cumprirmos Portugal.

Só falta soar o clarim e que siga a dança!

Nuno Pinto

Vivência de Biodanza: MITO do V IMPÉRIO – 10 Junho – Lisboa e Porto

DANÇAR O MITO DO V IMPÉRIO E A SACRALIDADE DA VIDA

No próximo dia 10 de Junho –Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades- convido-vos a uma vivência especial subordinada ao tema da Biodanza e do Mito do V Império. Nesta celebração pretendo aliar a nossa portugalidade, e aquilo que ela tem de sacralidade da vida, de universal e de nova mensagem de amor e esperança ao mito, reactualizando-os, a partir da ligação aos valores biocêntricos sobre os quais repousa a Biodanza!

A ideia onírica de Quinto Império em Portugal deriva do sebastianismo, que por sua vez é um mito ligado à tradição messiânica que se origina na crença no regresso do rei D. Sebastião (que após o desastre de Alcácer Quibir em 1578 levou ao desaparecimento do Desejado, e à perda de independência). No reinado de D. José surgiram 2 linhas de pensamento sebastianista.

Por um lado, os ortodoxos acreditavam no regresso físico do rei. Enquanto reacção à dominação castelhana, o rei Desejado/Encoberto seria um enviado que libertaria o povo da miséria e da opressão em que vivia. Durante o domínio filipino vários se apresentaram como o desejado ou se fizeram passar por D. Sebastião o que contribuiu para o mito se manter vivo.

Por outro lado, havia ainda aqueles que defendiam já o mito como uma nova era, terrena e/ou espiritual. Esta versão inspirou-se nas trovas de Bandarra, em que este louvava Deus e D. João III. Poemas esses que tinham influência judaica (baseada numa previsão bíblica em que o profeta Daniel interpreta um sonho do Rei Babilónico Nabucodonosor) e nas lendas arturianas e, que apesar de proibidas pela inquisição se perpetuaram. Nesta corrente entram o Padre António Vieira que imaginou um V e novo Império, de cariz universal e eterno que o padre atribui geográficamente a Portugal.

Camões, Pessoa e Agostinho da Silva também apresentaram versões, embora diferentes entre elas, desse mito.

Com Pessoa surge a dúvida ao leitor menos atento se o império é puramente espiritual (cabala), ou se tem materialização geográfica em Portugal enquanto paraíso terrestre (segundo Manuel Gandra em Alenquer, que em tudo se parece com a Jerusalém terrena e celeste). Para Pessoa o V Império será precedido do enviado de D. Sebastião que virá do nevoeiro; no entanto para este, D. Sebastião não é na verdade o rei historicamente conhecido, mas o Encoberto líder do Espírito Santo. Aquilo que o Desejado representa é eterno, tal como cada um de nós; a morte é somente uma mudança de estado e de veículo.

Por se tratar de uma alegoria essencialmente alquímica, ela integra a tradição hermética da morte ritual e do renascimento em outro nível de consciência (o arquétipo da Fénix). Diz a lenda que a fénix é um pássaro que, quando morre, seu corpo entra em combustão espontânea, e depois de algum tempo, de suas cinzas nasce outro pássaro. Com o surgimento do cristianismo a fénix passou a representar a ideia de ressurreição e de vida após a morte, pois esta ave representava Jesus Cristo ou o Iniciado; simbolizava também a esperança que nunca deve morrer no homem; da facto, como a nova fénix acumula todo o conhecimento obtido por suas antecessoras – que na realidade, são a mesma – um novo ciclo de inspiração e esperança (re)começa. Arquetipicamente isso implica sermos capazes de nos atualizar, quebrar paradigmas, mudar de direção, de estratégia, sem perder o foco e a particularidade que carregamos em nós.

Podemos falar de uma nova era em que os homens despertos terão a consciência da sua unidade, da sua interdependência, da necessidade de doar, do mundo superior, de onde provêm e a que aspiram voltar, não um mundo perfeito mas com consciência da imperfeição. Onde os homens combatem e controlam o ego e enfrentam-se ao espelho. Assim estarão despertos, segundo Pessoa, para o arquétipo do Quinto Império.

Agostinho da Silva também visionou um Quinto Império sob a égide do Espirito Santo, inspirado tanto nas teorias de Joaquim de Floris, como no culto do Divino (introduzido em Portugal por volta de 1323 por D. Dinis e a Rainha D. Isabel e que ainda se festeja nos Açores nas Festas do Espírito Santo, e em Tomar com a Festa dos Tabuleiros).

Esta visão caracteriza-se pela construção de uma nova sociedade baseada na inocência de que as crianças são o modelo (“restaurar a criança em nós, e em nós a coroarmos imperador”), na partilha dos bens como na das “sopas do Divino”, e na liberdade que destruísse todas as prisões.

Para Agostinho da Silva, nosso contemporâneo, trata-se de restaurar igualmente uma nova humanidade que seja capaz de viver plenamente “na sua integridade uma inteira vida; não despedaçados na angústia económica e noutras, só farrapos de vida”. O Império de Deus nesta terra, ou seja, o Império do Espírito Santo será o da realização terrena das Bem – Aventuranças, o onde já não haverá caluniadores nem perseguidos, o onde terão vencido os puros de coração e os misericordiosos, pátria prometida dos justos e dos que têm fome de Espírito, pátria prometida da Verdade e do Amor. Onde erigir o arquétipo da Criança Sagrada é primordial, pois nesse império é ela quem nos guiará.

A imagem arquetípica da criança corresponde ao estádio “urobórico” (condição paradisíaca do desenvolvimento da criança). Já Jung afirmava que a criança tanto é divindade como herói, que tem por função fundar um império, qual Ilha dos Amores (Camões).

Assim sendo, teremos novamente a possibilidade de reatualizar o paraíso na terra, actualizando o mito através da Biodanza dançando os arquétipos e… não só. No próximo artigo daremos mais dicas, mas o ideal mesmo, é que venham vivênciar no próximo dia 10 de Junho, em Lisboa (de manhã), no Porto (ao final da tarde). Vem e trás um(a) amigo(a). A vivência é aberta mesmo aos não praticantes regulares.

Mais informações através: biodanzanunopinto@gmail.com

DAR AS MÃOS TAMBÉM É ….UM ATO POLÍTICO

Para nós portugueses o mês de Abril é sem dúvida um mês de revoluções pacíficas, de vivências de mudança, de transformação, de busca de outro mundo possível, pautado em parâmetros de mais igualdade, justiça e fraternidade, de amor entre os seres humanos. Ainda vive nos nossos corações a imagem do cravo na ponta da espingarda. E nesse sentido, a Biodanza que também celebra o seu Dia Mundial a 19 de Abril (data de nascimento do Rolando Toro) e em Portugal este ano dia 24 de Abril, tem uma grande contribuição para dar, não como parte de uma ideologia, mas como uma transformação interior daqueles/as que serão parte das mudanças tão necessárias e desejadas.

 

Nas palavras do seu fundador –o antropólogo chileno Rolando Toro- a Biodanza “responde a questões de mudança social partindo da sede das emoções que é o corpo, e propondo uma cultura da vida, de respeito e amorosidade em relação a si mesmo, aos outros e à natureza” (1982). A metodologia fundamentada no princípio biocêntrico, ou seja da vida como referência central na conduta individual e coletiva, é original e revolucionária tendo em conta a nossa actual sociedade patológica e anti-vida. Quem se coneta com esse princípio repensa todos os aspetos de sua vida, desde as ideologias e crenças, às atitudes, colocando-se contra a exploração, a injustiça, a discriminação e a exclusão social e a favor de todos os movimentos que defendem a vida e a paz no planeta.

 

Metaforicamente Biodanza é a “Dança da Vida” e visa resgatar uma nova sensibilidade perante a vida e o sentido de integração e união originais (entre perceção, motricidade, afetividade e funções viscerais), fornecendo recursos contra a “fragmentação” do homem contemporâneo. Pratica-se exclusivamente em grupo e sua eficácia está na integração entre a música, o movimento e a vivência.

 

Sendo a Biodanza um sistema de expressão livre das emoções e sentimentos, aflora a parte maravilhosa que existe em cada um de nós. É a possibilidade de acessar essa parte iluminada, essa beleza sagrada que gera o brilho no olhar, o êxtase que as pessoas que vivenciam uma aula guardam na memória, não mental mas celular. É uma nova forma de encontro e sensibilidade com a vida, onde se comunica através de uma linguagem comum: a do olhar emocionado, do afeto e do abraço. É sentir que para além das aparências e da singularidade de cada um, somos essencialmente iguais porque os nossos corações pulsam pelo mesmo desejo de amar e ser amado. É ser animados pela mesma esperança de construir um mundo melhor celebrando a alegria e o prazer de viver. Datam de 1982 as palavras que Rolando Toro escreveu “não basta libertar o homem da miséria social e económica, é necessário libertá-lo de sua miséria afetiva. A biodanza desenvolve nas pessoas a capacidade afetiva, indispensável para o desenvolvimento comunitário”.

 

Pelo desejo de um mundo melhor, por saber que outro mundo é possível, por ter a certeza que as contribuições que a Biodanza fez na minha vida podem atingir mais e mais pessoas. Porque superamos os momentos problemáticos dançando, colocando em movimento a vida, experimentando caminhos novos e transmutando… Por tudo isso, em passos de dança, de mãos dadas como numa ciranda em que cada um tem o seu lugar, estão todos convidados por músicas que ficarão certamente na memória, a vivenciar um mundo melhor celebrando a alegria de viver e de mais um Dia Mundial da Biodanza, que reunirá centenas, tanto a Norte como a Sul do país, como uma teia pulsante. E um acto político, porque coletivamente estamos construindo outras formas de viver dentro do Princípio Biocêntrico, com vista à transformação social.

 

Estou grato por poder desenvolver o legado do Rolando e fazer parte deste movimento ímpar em termos mundiais e ter condições para desenvolver redes cada vez mais englobantes e interativas de amorosidade, solidariedade e criatividade por este mundo fora e, mais particularmente em Portugal, onde as revoluções se fazem com cravos nas espigardas. Que siga a Dança!

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE BIODANZA – Tenho um tumor maligno, fazer BIODANZA é prejudicial?

Tenho com o tumor maligno na mama e queria saber se a Biodanza é prejudicial na doença?


Olá Josiel,
Em primeiro lugar, é com satisfação que registo o facto de estares a dançar a vida nessas circunstâncias.
Em segundo lugar, no que à tua questão diz respeito, não há nenhum registo de qualquer transtorno causado pela Biodanza. Antes pelo contrário! Pelo simples facto de ser um sistema que promove a alegria de viver, que gera harmonia, prazer e vínculos afectivos nutritivos, já contribui de forma significativa para uma melhoria do estado de saúde. São vários os relatos de pessoas que sentem efeitos muito positivos na regulação do sono, da tensão arterial, do stress, o que ajuda a dar espaço ao corpo para se renovar e regenerar e, contribui em muito, para melhorar a tua actual condição.
A Biodanza não é por si uma terapia de cura, mas pelo seu efeito geral de bem-estar, cria condições para que certos efeitos terapêuticos possam actuar contribuindo para uma melhor qualidade de vida. Por tudo isso, por favor, continua a dançar e procura as danças que geram alegria (caminhares, rodas, jogos de grupo), prazer (danças cenestésicas, de contacto e carícia), harmonia (fluidez e transe) e vínculo (encontros, danças em par e em grupo) para reforço da tua auto-estima e também dos índices fisiológicos do teu corpo.
Beijinhos, as melhoras e siga a dança!

Nuno Pinto

 


Todas as quintas-feiras, às 20:00, Grupo Regular de Integração BiodanzaNunoPinto

Local: Rua Rodrigues Sampaio, nº 19ª (metro Avenida), Lisboa

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE BIODANZA – A Biodanza torna as pessoas mais flexíveis e sensíveis?

Gostava de saber de que forma a Biodanza torna as pessoas mais flexíveis e também muito mais sensíveis para as pequenas coisas da vida?

 


 

Olá Lena,

Muito obrigado pela tua pergunta muito interessante. Pela maneira como colocas a pergunta, já está implícito que a Biodanza ajuda as pessoas a ficarem mais flexíveis e sensíveis e isso agrada-me imenso, pois concordo totalmente.

Já a forma como o consegue prende-se fundamentalmente com o facto de usarmos a vivencia como mecanismo de ação, ou seja, como metodologia de intervenção. Quando pensamos sobre as coisas, apenas ficamos com ideias sobre elas e já sabemos pela experiência que pelo facto de sabermos algo, isso não implica de forma direta uma alteração do comportamento, ou numa integração de uma determinada qualidade. Mas quando vivenciamos, ou seja experimentamos, como atuamos além do pensamento, integrando também o corpo que é fonte de sensações, emoções, sentimentos, movimentos integrados, conseguimos alcançar melhor os efeitos desejados.

E quanto à flexibilidade e à sensibilidade, conseguimos alcançar os resultados mediante danças que favorecem esses aspectos: (i) danças que convidam o corpo a ficar mais flexível, com danças de extensão; (ii) danças que favorecem a agilidade, com controle voluntário dos movimentos, acelerando ou desacelerando o movimento; (iii) danças com interação com o o outro e com o grupo, que convidam a adaptar-se, a reagir, a interagir e, através das sensações e das emoções geradas, assim como da integração motora associada, conseguimos progressivamente ir ganhando mais e mais flexibilidade.

Já a sensibilidade vem de uma poesia do movimento e do encontro, buscando gestos, movimentos, danças individuais e com o outro que ajudam a integrar a sensibilidade. Gestos lentos, suaves, contínuos, fluídos, delicados são os sugeridos para as vivências que vão facilitar a integração da sensibilidade.

Depois, sabemos pela experiência, que uma vivência integrada, provoca alteração de comportamento. Alguém que experimenta sucessivamente estímulos de flexibilidade, sensibilidade ou outros, vai incorporar esses comportamentos, ficando naturalmente mais aberto às pequenas coisas da vida e não só. Desenvolve uma maior capacidade de relação com a Vida, com os outros e consigo mesmo. Tudo através da dança!

Através da Biodanza, ao ritmo da vida 🙂

Um abraço forte,

Nuno Pinto


Todas as quintas-feiras, às 20:00, Grupo Regular de Integração BiodanzaNunoPinto

Local: Rua Rodrigues Sampaio, nº 19ª (metro Avenida), Lisboa

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE BIODANZA – Pode a Biodanza ajudar-nos no processo de cura emocional cristalizado?

 

Pode a Biodanza ajudar-nos no processo de cura emocional cristalizado ao nível do corpo há tanto tempo que a mente já tem dificuldade em as identificar? (Teresa)

 


Olá Teresa,

Muito boa a tua questão que agradeço desde já. A resposta é sim! A Biodanza pode ajudar nesse processo. Embora nossa abordagem num grupo regular normal não seja terapêutica, mas sim estimuladora da expressão dos potenciais humanos, inevitavelmente ‘esbarramos’ com muitas questões, relacionadas com a repressão, ou a cristalização de certas emoções reprimidas pelas mais diversas circunstâncias de vida.

A biodanza como processo, como caminho, actua através de determinadas danças, sobre a couraça caracterológica, definida por Wilhelm Reich, favorecendo a sua dissolução. Esta couraça, é o somatório das emoções reprimidas como mecanismos de defesa perante determinadas situações na vida. Essa couraça manifesta-se corporalmente sob a forma de tensão e rigidez muscular, que vai moldando o corpo de forma repressiva, podendo ser definido como a cristalização que referes e sendo corporal, a mente vai processando como próprio o que torna a identificação mais dificil. Em Biodanza, ao dançar, tomamos contacto (sensível, sinestésico, cinestésico, emocional, instintivo, racional) com o corpo e podemos então identificar mais facilmente essas emoções cristalizadas, reprimidas, bloqueadas e por aí vai…

As danças que mais ajudam nesse sentido, são todas as que permitem a dissolução das tensões crónicas, nomeadamente as danças que estimulam a integração dos segmentares (dissolvendo os principais anéis de tensão de que Reich falava): pescoço, ombros, peito e braços, abdomen e pélvis. Também as danças de libertação e expressão do movimento central e periférico ajudam nesse caminho. Por fim, as danças que estimulam o prazer pelo movimento, pela carícia, pelo erotismo, pelo encontro, pelo efeito profundamente relaxante ou estimulante ajudam a dissolver as tensões.

Espero ter ajudado, mas algo que não tenha ficado claro, podes voltar a questionar 🙂

Um abraço forte,

Nuno Pinto


Todas as quintas-feiras, às 20h, Grupo de Integração de Biodanza Nuno Pinto
Local: Rua Rodrigues Sampaio, nº 19ª (metro: Avenida) | Lisboa

AO RITMO DA VIDA… Porque fazer BIODANZA?

Com certeza já lhe aconteceu ao dançar numa festa, sentir aquela fusão com uma determinada música que o levou ao êxtase, e lhe deu vontade de recomeçar a experiência. Nessa altura sentiu-se leve e sensível, seus movimentos surgiram das entranhas fazendo-o viajar para um estado de ânimo diferente que o emocionou, e gerou uma enorme sensação de amor e bem-estar. Pena que tivesse sido tão passageiro.

De facto, cada instante vivido, de forma consciente ou não, desencadeia processos internos em nosso ser (com respostas neuro-endócrinas e imunológicas) que alteram os nossos estados mentais, e que estão diretamente conectados com o nosso corpo e as nossas atitudes diante da vida. Infelizmente, face ao nosso atual estilo de vida, vivemos amiúde das vezes de forma dissociada, gerando estados desarmoniosos e stressantes que originam aliás bastantes doenças e desequilíbrios.

Em Biodanza, entendemos a dança como um elemento muito poderoso capaz de gerar sensibilidade, empatia, solidariedade, alegria, amor, …. aquilo que os cerca de 2.500 praticantes da “Dança da Vida” em Portugal  relatam como um sentimento de bem-estar que perdura no seu quotidiano, e que os traz semanalmente às aulas em grupo regular.

Então, qual é o segredo da Biodanza?

A maior parte das disciplinas corporais não se vinculam à vivência nem às emoções, levando a uma dissociação afetivo-motora. A Biodanza, pelo contrário, tem um repertório de exercícios e de danças cuja finalidade é ativar os movimentos humanos, onde para além da postura e da criação, também são tidos em conta a espontaneidade, o contacto, a carícia, a intencionalidade do movimento entre outros aspetos. A música criteriosamente selecionada tem o condão de atuar sobre os nossos sentimentos, provocando movimentos no nosso corpo. Estes movimentos, que se manifestam através de impulsos naturais e instintivos, promovem o surgimento de sensações e sentimentos, muitos deles retraídos pela nossa educação e regras sociais. Utilizando estímulos positivos portanto, como a música orgânica, o movimento sensível e as vivências integradoras, a Biodanza tem-se mostrado, um caminho muito eficaz para promover e restaurar o nosso bem-estar e equilíbrio orgânico, desde que praticado com regularidade. Desta feita a biodanza não é nem uma técnica ou estilo de dança, nem uma terapia, mas sim um processo de Desenvolvimento Humano. É uma pedagogia da arte de viver.

Ser natural | verdadeiro | orgânico na dança implica em oferecer ao corpo possibilidades de movimentos plenos de sentido, despojando-o dos clichés que trazem à memória padronizações de corpos e bailados, por isso não é necessário saber dançar para se praticar esta modalidade. A dança orgânica aumenta a nossa consciência corporal, melhorando a nossa postura e perceção de nós mesmos, reforça a nossa identidade e gera uma autoestima positiva. Dissolve ainda tensões musculares, permitindo maior flexibilidade, agilidade, equilíbrio e leveza nos movimentos, e, com isso, passamos a introduzir esse padrão físico à nossa existência, tornando-a mais criativa e prazerosa. A música atua sobre o sistema nervoso neurovegetativo (simpático e parassimpático), sobre os neurotransmissores, sobre o sistema endócrino e imunológico, respiratório e cardiovascular, influenciando assim todas as funções vitais básicas. Essas experiências vão, aos poucos, construindo uma base neurofisiológica que promove uma integração afetivo-motora capaz de trazer ao quotidiano do praticante, os elementos que ele vivencia em suas danças.

A Biodanza foi criada na década de 60 pelo antropólogo e psicólogo chileno Rolando Toro Araneda (1924-2010) como um sistema de integração afetiva e desenvolvimento humano, baseado em vivências criadas através de movimentos de dança usando, para isso, um conjunto de músicas selecionadas. As aulas são sempre efetuadas num contexto de grupo, sendo que cada sessão de Biodanza tem aproximadamente duas horas: 15 minutos de introdução teórica, que serve para elaborar o tema do mês à luz dos princípios biocêntricos que norteiam a Biodanza;15 minutos de perguntas e partilha verbal por parte dos praticantes, que serve para falar das sensações e emoções vividas pelos participantes em cada sessão e 90 minutos de vivência para deixar o mundo das ideias e passar ao mundo vivido e dançado.

E siga a dança, mas ao ritmo da vida orgânica que origina a vida: ritmo biológico, ritmo do coração, da respiração e do impulso de vinculação da espécie.

Nuno Pinto

Todas as 5ª | às 20h | Local: Rua rodrigues sampaio nº 19A (metro Avenida), em Lisboa.