‘Biodanza’ de Rolando Toro Araneda

Bio(centric) Book:
Biodanza de Rolando Toro Araneda
 
Quero inaugurar este espaço de recomendações de leitura, precisamente, pelo livro do criador da Biodanza. Ousar trazer ao mundo uma pedagogia assente no afecto, na alegria, no prazer, na glória de viver, no triunfo da vida, é um mérito que lhe assiste. Tem a minha profunda reverência!
 
Ser capaz de sustentar um caminho, não isento de dificuldades, inerentes a um mundo que não entende essa linguagem, apesar de todo a nossa corporeidade nos orientar no sentido do grandioso: o êxtase!
 
O estímulo da Vida, deu-nos como guias, neurotransmissores como a serotonina, a dopamina, a endorfina, a noradrenalina, a anandamina, todos eles presentes, no que se define em Biodanza por vivência e capazes de nos ajudar, a integrar enquanto humanos e a descobrir toda uma nova visão do mundo.
 
Neste livro Rolando Toro, guia-nos pelo sistema, desde a sua origem, passando pelos efeitos fisiológicos, e naturalmente pelo principio biocêntrico, onde ele diz que o mesmo ‘estabelece um modo de sentir e de pensar que toma como referência existencial a vivência’, por contra ponto à cultura humana de poder e dominação que usa referências auto-destrutivas na maioria dos casos, com custos incomensuráveis para a vida humana, mas pior ainda para a Vida em geral. Assente neste principio orientador, a viagem continua, pelo seu aporte do inconsciente vital, os mitos e arquétipos na Biodanza, a unidade movimento-músiva-vivência, o continuam identidade e regressão, o movimento humano, os potenciais genéticos, o contacto e a caricia e naturalmente o modelo teórico e vários aspectos relacionados com a metodologia que geram todo o seu potencial integrador e pedagógico.
 
Termino com um parágrafo, que me toca sobremaneira, e que espero, motive a procura do livro, apenas disponível por encomenda.
 
‘Diante do terror da origem, diante da solidão inexorável do infinito, os seres humanos buscam uma resposta olhando-se nos olhos. Nossas existências não foram deixadas ao acaso como os meteoritos ardentes no espaço côncavo, mas sim nasceram na linfa milenar, do útero cósmico que se nutre e respira com o amor dos elementos. Na luz da origem, na clareira paradisíaca da realidade, nós nos buscamos reciprocamente.’ Rolando Toro Araneda
 
06 de Junho de 2019
 
Ao ritmo da vida
 
Nuno Pinto

Estados de êxtase e/ou vivência?…

‘Os autores passaram quatro anos a investigar as vantagens desta revolução – da base da SEAL Team Six, ao festival Boom, do centro de formação da Red Bull à equipa de inovação da Nike. E o que aprenderam foi surpreendente: todos têm procurado o mesmo – o instante de descarga dos sentidos que proporciona uma nova visão das coisas’. *
Em Biodanza, chamamos a este instante: vivência! A vivência…
 
E conseguimo-lo com relativa frequência, todas as vezes que a praticamos, seja semanalmente em grupo regular, ou mensalmente nas Escolas de Biodanza.
 
A vivência é uma experiência intensamente vivida, aqui e agora, capaz de níveis de integração instintivo, cenestésico, emocional, sentimental e mental que levam à expansão da consciência e consequentemente, à alteração do comportamento.
 
Como sabemos, não basta saber, para mudar. Se assim fosse, não continuaríamos a seguir este caminho desastroso de consumo e poluição desenfreada. Mas, quando tivermos a vivência de sufoco, pelo ar poluído, ou a indisposição, pelo plástico ingerido, isso, porque vivido, alterará o comportamento, seguramente!
Será a tempo? É outra história…
 
Relacionando ainda, com o tema do livro e os estados de êxtase (vivências), quantos mais vivênciarmos, mais mudaremos o nosso comportamento (porque seguir penando???). Criadas estão as condições para uma vida mais plena e realizadora, que os autores remetem para o alto desempenho e eu traduziria. para a mais alta qualidade de vida.
 
É apaixonante, do ponto de vista da aprendizagem, a forma viva como actualmente o conhecimento se cruzada tal forma que a ciência, a arte, a medicina e até os grandes mistérios, danzam juntos.
 
Mais comentários virão, ao ritmo da vida…
 
* in Roubar o fogo, de Steven Kotler e Jamie Wheal
05 de Junho 2019
Ao ritmo da vida…
Nuno Pinto

Descanso, desliganço ou a arte de viver?

Parei esta 6ª feira, parei de tudo, ainda assim, porque a inércia da rotina no meu corpo é colossal, apenas desacelerei o suficiente para perceber, porque senti, que se não o fizer mais vezes, provavelmente a vida vai-me correr muito mal… entre rotinas familiares e profissionais, tem sobrado nada, para o meu surf, o meu ioga, a minha meditação, para a minha leitura, para o meu estudo, para a minha investigação e para o tempo de qualidade com minha mulher e amante e com os meus filhos… no corre, corre, ainda consigo ter uma média de tempo de écran ao telemóvel de 4h!!! Dá para imaginar? Estou a estourar a cabeça e o corpo a pagar, mas ao ler sobre estados de êxtase e a escrever sobre o principio biocêntrico, vem a gana toda de mudar! A primeira coisa que fiz, foi não andar com o telemóvel… ganhei 4h!!! Mas, o incrível é que mesmo parado, não parei, mesmo quieto, não aquietei, pois a inércia do quotidiano é avassaladora… um quotidiano, que sem se dar conta, exige, cobra, estimula, demanda, aprova e reprova e por mais recursos que se tenha (e eu tenho), se não se está completamente, presente e centrado (em vivência), a tua alcunha é o ‘já foste’… e é assim que me sinto: quase fui! Como ainda aqui estou, partilho-me na força da vida, que procura sempre uma forma de se expressar, saudável, plena, integrada e em busca do essencial: ação e repouso, expressão e imaginação, dar e receber, amar e ser amado, pensar e sentir…

Fui… viver isso tudo!

Nuno Pinto,

Ao ritmo da vida…

31 de Maio 2019

P.S.: só voltei hoje e tirei 2h30 de tempo de écran ao iPhone!!!