Vivência de Biodanza: MITO do V IMPÉRIO – 10 Junho – Lisboa e Porto

DANÇAR O MITO DO V IMPÉRIO E A SACRALIDADE DA VIDA

No próximo dia 10 de Junho –Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades- convido-vos a uma vivência especial subordinada ao tema da Biodanza e do Mito do V Império. Nesta celebração pretendo aliar a nossa portugalidade, e aquilo que ela tem de sacralidade da vida, de universal e de nova mensagem de amor e esperança ao mito, reactualizando-os, a partir da ligação aos valores biocêntricos sobre os quais repousa a Biodanza!

A ideia onírica de Quinto Império em Portugal deriva do sebastianismo, que por sua vez é um mito ligado à tradição messiânica que se origina na crença no regresso do rei D. Sebastião (que após o desastre de Alcácer Quibir em 1578 levou ao desaparecimento do Desejado, e à perda de independência). No reinado de D. José surgiram 2 linhas de pensamento sebastianista.

Por um lado, os ortodoxos acreditavam no regresso físico do rei. Enquanto reacção à dominação castelhana, o rei Desejado/Encoberto seria um enviado que libertaria o povo da miséria e da opressão em que vivia. Durante o domínio filipino vários se apresentaram como o desejado ou se fizeram passar por D. Sebastião o que contribuiu para o mito se manter vivo.

Por outro lado, havia ainda aqueles que defendiam já o mito como uma nova era, terrena e/ou espiritual. Esta versão inspirou-se nas trovas de Bandarra, em que este louvava Deus e D. João III. Poemas esses que tinham influência judaica (baseada numa previsão bíblica em que o profeta Daniel interpreta um sonho do Rei Babilónico Nabucodonosor) e nas lendas arturianas e, que apesar de proibidas pela inquisição se perpetuaram. Nesta corrente entram o Padre António Vieira que imaginou um V e novo Império, de cariz universal e eterno que o padre atribui geográficamente a Portugal.

Camões, Pessoa e Agostinho da Silva também apresentaram versões, embora diferentes entre elas, desse mito.

Com Pessoa surge a dúvida ao leitor menos atento se o império é puramente espiritual (cabala), ou se tem materialização geográfica em Portugal enquanto paraíso terrestre (segundo Manuel Gandra em Alenquer, que em tudo se parece com a Jerusalém terrena e celeste). Para Pessoa o V Império será precedido do enviado de D. Sebastião que virá do nevoeiro; no entanto para este, D. Sebastião não é na verdade o rei historicamente conhecido, mas o Encoberto líder do Espírito Santo. Aquilo que o Desejado representa é eterno, tal como cada um de nós; a morte é somente uma mudança de estado e de veículo.

Por se tratar de uma alegoria essencialmente alquímica, ela integra a tradição hermética da morte ritual e do renascimento em outro nível de consciência (o arquétipo da Fénix). Diz a lenda que a fénix é um pássaro que, quando morre, seu corpo entra em combustão espontânea, e depois de algum tempo, de suas cinzas nasce outro pássaro. Com o surgimento do cristianismo a fénix passou a representar a ideia de ressurreição e de vida após a morte, pois esta ave representava Jesus Cristo ou o Iniciado; simbolizava também a esperança que nunca deve morrer no homem; da facto, como a nova fénix acumula todo o conhecimento obtido por suas antecessoras – que na realidade, são a mesma – um novo ciclo de inspiração e esperança (re)começa. Arquetipicamente isso implica sermos capazes de nos atualizar, quebrar paradigmas, mudar de direção, de estratégia, sem perder o foco e a particularidade que carregamos em nós.

Podemos falar de uma nova era em que os homens despertos terão a consciência da sua unidade, da sua interdependência, da necessidade de doar, do mundo superior, de onde provêm e a que aspiram voltar, não um mundo perfeito mas com consciência da imperfeição. Onde os homens combatem e controlam o ego e enfrentam-se ao espelho. Assim estarão despertos, segundo Pessoa, para o arquétipo do Quinto Império.

Agostinho da Silva também visionou um Quinto Império sob a égide do Espirito Santo, inspirado tanto nas teorias de Joaquim de Floris, como no culto do Divino (introduzido em Portugal por volta de 1323 por D. Dinis e a Rainha D. Isabel e que ainda se festeja nos Açores nas Festas do Espírito Santo, e em Tomar com a Festa dos Tabuleiros).

Esta visão caracteriza-se pela construção de uma nova sociedade baseada na inocência de que as crianças são o modelo (“restaurar a criança em nós, e em nós a coroarmos imperador”), na partilha dos bens como na das “sopas do Divino”, e na liberdade que destruísse todas as prisões.

Para Agostinho da Silva, nosso contemporâneo, trata-se de restaurar igualmente uma nova humanidade que seja capaz de viver plenamente “na sua integridade uma inteira vida; não despedaçados na angústia económica e noutras, só farrapos de vida”. O Império de Deus nesta terra, ou seja, o Império do Espírito Santo será o da realização terrena das Bem – Aventuranças, o onde já não haverá caluniadores nem perseguidos, o onde terão vencido os puros de coração e os misericordiosos, pátria prometida dos justos e dos que têm fome de Espírito, pátria prometida da Verdade e do Amor. Onde erigir o arquétipo da Criança Sagrada é primordial, pois nesse império é ela quem nos guiará.

A imagem arquetípica da criança corresponde ao estádio “urobórico” (condição paradisíaca do desenvolvimento da criança). Já Jung afirmava que a criança tanto é divindade como herói, que tem por função fundar um império, qual Ilha dos Amores (Camões).

Assim sendo, teremos novamente a possibilidade de reatualizar o paraíso na terra, actualizando o mito através da Biodanza dançando os arquétipos e… não só. No próximo artigo daremos mais dicas, mas o ideal mesmo, é que venham vivênciar no próximo dia 10 de Junho, em Lisboa (de manhã), no Porto (ao final da tarde). Vem e trás um(a) amigo(a). A vivência é aberta mesmo aos não praticantes regulares.

Mais informações através: biodanzanunopinto@gmail.com

0 replies

Leave a Reply

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *