ESTÁ A CHEGAR A HORA DE SE CUMPRIR PORTUGAL… DANÇANDO

No dia 10 de Junho convido-vos a vivenciar o mito do V Império, tanto em Lisboa como no Porto, num acto simbólico que celebra e reverencia a sacralidade da vida.  O objetivo é, através desta primeira recriação simbólica poderem experimentar um momento mágico, um novo olhar sobre o mundo e si mesmo, saindo do tempo da neurose para entrar no tempo da missão, da esperança e do amor. Como num ritual iniciático (representação ativa do mito) que leva ao confronto com a morte de certas realidades, à permissão de contactar com o novo, e retornar a uma condição primordial. Só então se tem acesso ao conhecimento dos mistérios… do coração e da vida.

Alguns mitos que circulam no imaginário ocidental surgiram como narrativas utilizadas pelos povos gregos para contar a origem do mundo e do homem, explicar factos da realidade e fenómenos da natureza utilizando-se de muitos símbolos, deuses, heróis e personagens sobrenaturais, relacionados com alguma data ou religião. Tudo misturado a factos reais, características humanas e pessoas que realmente existiram, com o objetivo de transmitir o conhecimento e explicar através de rituais em cerimónias, danças, orações e sacrifícios, o que a ciência não havia explicado. Excusado será explicar porque, desde o advento do racionalismo, a mitologia desapareceu da paisagem, particularmente nas sociedades ocidentais, desconectando-nos com a vida divina que há em nós.

Foi o psicólogo Jung (1875-1961) o responsável pela mudança dessa percepção, tendo escrito que “nenhuma ciência irá algum dia substituir o mito, e o mito não pode ser criado por nenhuma ciência”, pois considerava-o uma expressão do inconsciente coletivo universal. Composto de arquétipos -como o herói, a mulher sábia, o velho, etc- presentes em nossa psique primitiva, as suas raízes estão nas experiências vividas repetidamente por incontáveis gerações ao longo da evolução da espécie humana, de modo que acabaram por tornar-se uma porção atávica do nosso psiquismo, padrões herdados mas não conscientes, e universais porque evocam sentimentos, imagens e comportamentos com os quais todos, de uma forma ou outra, nos identificamos. São sentidos como numinosos e expressam-se de forma simbólica.

Também Joseph Campbell (1904-1987) conhecido pelos seus trabalhos sobre a mitologia revelou que a mitologia em si, era um roteiro para a autodescoberta, tendo escrito que “é a canção do universo – música que nós dançamos mesmo quando não somos capazes de reconhecer a melodia. Mitos são aquilo que os seres humanos têm em comum, são histórias de nossa busca da verdade, de sentido, de significação através dos tempos”. Apostou mais no simbolismo, significado e imagens do mito. Interessou-se particularmente pela jornada do herói, importante porque transmite verdades universais sobre si mesmo ou seu papel na sociedade.

Para iluminar os aspectos arcaicos da Biodanza, também Rolando Toro utilizou os mitos, nomeadamente de (i) Deméter (sacralização da natureza e busca de estados de expansão de consciência), (ii) Dionísio (alegria de viver,a busca do prazer e do êxtase e a liberação da profunda potencialidade instintiva através da dança), (iii) Orfeu (o poder da música, do canto e da poesia, capaz de induzir processos de transformação no ânimo humano) e ainda o arquétipo de (iv) Cristo (pelo amor ao próximo, humildade e misericórdia).

No caso do V Império o mito fez-se história com D. Afonso Henriques no sonho crístico de Ourique em que ficou incumbido de levar a mensagem de Cristo -a mensagem do monarca universal- dentro de um espírito de fraternidade, sem violência, aos quatro cantos do mundo. Os cavaleiros templários deram corpo a essa missão, embora em segredo. Devido à inquisição a missão templária foi-se cristalizando cada vez mais através de D. Dinis, da Rainha Santa Isabel com o culto do Espirito Santo e, por fim com quase todos os navegadores lusos também eles iniciados (na Ordem de Cristo).

E hoje Portugal, Fernando Pessoa falava de “Falta cumprir-se Portugal”. Será que ainda existe alguma forma de cumprir a missão que falta (a de unir todos os povos pelo Espírito Santo)?

Como refere Eduardo Amarante (2009, 2016) “no inconsciente colectivo do povo português mesclam-se dois sentimentos antagónicos: o de sermos herdeiros ou descendentes de um passado histórico glorioso e o de estarmos atolados desde há séculos num ambiente de mediocridade a vários níveis”. Tão bem ilustrada nos tempos actuais pelas condições impostas pelas organizações internacionais. Essas condições e um espaço geográfico reduzido levaram o gene luso a expandir-se pelos 5 continentes, deixando a sua semente (capacidade inata de integrar e se integrarem no meio que os rodeia de forma pacífica e tolerante) e inventando a “verdadeira globalização” –aquela que tem aspetos positivos-, assente nos valores da fraternidade e agora mais claramente também nos biocêntricos.

É uma recriação, num outro plano, da aventura das Descobertas. É como um sopro sagrado que vem desde o início dos tempos e ficou gravado na nossa alma, forma de ser e tradições e que nos determina como povo, com uma identidade própria, das mais antigas da Europa.

Chegou pois a hora para coletivamente cumprirmos Portugal.

Só falta soar o clarim e que siga a dança!

Nuno Pinto

Vivência de Biodanza: MITO do V IMPÉRIO – 10 Junho – Lisboa e Porto

DANÇAR O MITO DO V IMPÉRIO E A SACRALIDADE DA VIDA

No próximo dia 10 de Junho –Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades- convido-vos a uma vivência especial subordinada ao tema da Biodanza e do Mito do V Império. Nesta celebração pretendo aliar a nossa portugalidade, e aquilo que ela tem de sacralidade da vida, de universal e de nova mensagem de amor e esperança ao mito, reactualizando-os, a partir da ligação aos valores biocêntricos sobre os quais repousa a Biodanza!

A ideia onírica de Quinto Império em Portugal deriva do sebastianismo, que por sua vez é um mito ligado à tradição messiânica que se origina na crença no regresso do rei D. Sebastião (que após o desastre de Alcácer Quibir em 1578 levou ao desaparecimento do Desejado, e à perda de independência). No reinado de D. José surgiram 2 linhas de pensamento sebastianista.

Por um lado, os ortodoxos acreditavam no regresso físico do rei. Enquanto reacção à dominação castelhana, o rei Desejado/Encoberto seria um enviado que libertaria o povo da miséria e da opressão em que vivia. Durante o domínio filipino vários se apresentaram como o desejado ou se fizeram passar por D. Sebastião o que contribuiu para o mito se manter vivo.

Por outro lado, havia ainda aqueles que defendiam já o mito como uma nova era, terrena e/ou espiritual. Esta versão inspirou-se nas trovas de Bandarra, em que este louvava Deus e D. João III. Poemas esses que tinham influência judaica (baseada numa previsão bíblica em que o profeta Daniel interpreta um sonho do Rei Babilónico Nabucodonosor) e nas lendas arturianas e, que apesar de proibidas pela inquisição se perpetuaram. Nesta corrente entram o Padre António Vieira que imaginou um V e novo Império, de cariz universal e eterno que o padre atribui geográficamente a Portugal.

Camões, Pessoa e Agostinho da Silva também apresentaram versões, embora diferentes entre elas, desse mito.

Com Pessoa surge a dúvida ao leitor menos atento se o império é puramente espiritual (cabala), ou se tem materialização geográfica em Portugal enquanto paraíso terrestre (segundo Manuel Gandra em Alenquer, que em tudo se parece com a Jerusalém terrena e celeste). Para Pessoa o V Império será precedido do enviado de D. Sebastião que virá do nevoeiro; no entanto para este, D. Sebastião não é na verdade o rei historicamente conhecido, mas o Encoberto líder do Espírito Santo. Aquilo que o Desejado representa é eterno, tal como cada um de nós; a morte é somente uma mudança de estado e de veículo.

Por se tratar de uma alegoria essencialmente alquímica, ela integra a tradição hermética da morte ritual e do renascimento em outro nível de consciência (o arquétipo da Fénix). Diz a lenda que a fénix é um pássaro que, quando morre, seu corpo entra em combustão espontânea, e depois de algum tempo, de suas cinzas nasce outro pássaro. Com o surgimento do cristianismo a fénix passou a representar a ideia de ressurreição e de vida após a morte, pois esta ave representava Jesus Cristo ou o Iniciado; simbolizava também a esperança que nunca deve morrer no homem; da facto, como a nova fénix acumula todo o conhecimento obtido por suas antecessoras – que na realidade, são a mesma – um novo ciclo de inspiração e esperança (re)começa. Arquetipicamente isso implica sermos capazes de nos atualizar, quebrar paradigmas, mudar de direção, de estratégia, sem perder o foco e a particularidade que carregamos em nós.

Podemos falar de uma nova era em que os homens despertos terão a consciência da sua unidade, da sua interdependência, da necessidade de doar, do mundo superior, de onde provêm e a que aspiram voltar, não um mundo perfeito mas com consciência da imperfeição. Onde os homens combatem e controlam o ego e enfrentam-se ao espelho. Assim estarão despertos, segundo Pessoa, para o arquétipo do Quinto Império.

Agostinho da Silva também visionou um Quinto Império sob a égide do Espirito Santo, inspirado tanto nas teorias de Joaquim de Floris, como no culto do Divino (introduzido em Portugal por volta de 1323 por D. Dinis e a Rainha D. Isabel e que ainda se festeja nos Açores nas Festas do Espírito Santo, e em Tomar com a Festa dos Tabuleiros).

Esta visão caracteriza-se pela construção de uma nova sociedade baseada na inocência de que as crianças são o modelo (“restaurar a criança em nós, e em nós a coroarmos imperador”), na partilha dos bens como na das “sopas do Divino”, e na liberdade que destruísse todas as prisões.

Para Agostinho da Silva, nosso contemporâneo, trata-se de restaurar igualmente uma nova humanidade que seja capaz de viver plenamente “na sua integridade uma inteira vida; não despedaçados na angústia económica e noutras, só farrapos de vida”. O Império de Deus nesta terra, ou seja, o Império do Espírito Santo será o da realização terrena das Bem – Aventuranças, o onde já não haverá caluniadores nem perseguidos, o onde terão vencido os puros de coração e os misericordiosos, pátria prometida dos justos e dos que têm fome de Espírito, pátria prometida da Verdade e do Amor. Onde erigir o arquétipo da Criança Sagrada é primordial, pois nesse império é ela quem nos guiará.

A imagem arquetípica da criança corresponde ao estádio “urobórico” (condição paradisíaca do desenvolvimento da criança). Já Jung afirmava que a criança tanto é divindade como herói, que tem por função fundar um império, qual Ilha dos Amores (Camões).

Assim sendo, teremos novamente a possibilidade de reatualizar o paraíso na terra, actualizando o mito através da Biodanza dançando os arquétipos e… não só. No próximo artigo daremos mais dicas, mas o ideal mesmo, é que venham vivênciar no próximo dia 10 de Junho, em Lisboa (de manhã), no Porto (ao final da tarde). Vem e trás um(a) amigo(a). A vivência é aberta mesmo aos não praticantes regulares.

Mais informações através: biodanzanunopinto@gmail.com