DAR AS MÃOS TAMBÉM É ….UM ATO POLÍTICO

Para nós portugueses o mês de Abril é sem dúvida um mês de revoluções pacíficas, de vivências de mudança, de transformação, de busca de outro mundo possível, pautado em parâmetros de mais igualdade, justiça e fraternidade, de amor entre os seres humanos. Ainda vive nos nossos corações a imagem do cravo na ponta da espingarda. E nesse sentido, a Biodanza que também celebra o seu Dia Mundial a 19 de Abril (data de nascimento do Rolando Toro) e em Portugal este ano dia 24 de Abril, tem uma grande contribuição para dar, não como parte de uma ideologia, mas como uma transformação interior daqueles/as que serão parte das mudanças tão necessárias e desejadas.

 

Nas palavras do seu fundador –o antropólogo chileno Rolando Toro- a Biodanza “responde a questões de mudança social partindo da sede das emoções que é o corpo, e propondo uma cultura da vida, de respeito e amorosidade em relação a si mesmo, aos outros e à natureza” (1982). A metodologia fundamentada no princípio biocêntrico, ou seja da vida como referência central na conduta individual e coletiva, é original e revolucionária tendo em conta a nossa actual sociedade patológica e anti-vida. Quem se coneta com esse princípio repensa todos os aspetos de sua vida, desde as ideologias e crenças, às atitudes, colocando-se contra a exploração, a injustiça, a discriminação e a exclusão social e a favor de todos os movimentos que defendem a vida e a paz no planeta.

 

Metaforicamente Biodanza é a “Dança da Vida” e visa resgatar uma nova sensibilidade perante a vida e o sentido de integração e união originais (entre perceção, motricidade, afetividade e funções viscerais), fornecendo recursos contra a “fragmentação” do homem contemporâneo. Pratica-se exclusivamente em grupo e sua eficácia está na integração entre a música, o movimento e a vivência.

 

Sendo a Biodanza um sistema de expressão livre das emoções e sentimentos, aflora a parte maravilhosa que existe em cada um de nós. É a possibilidade de acessar essa parte iluminada, essa beleza sagrada que gera o brilho no olhar, o êxtase que as pessoas que vivenciam uma aula guardam na memória, não mental mas celular. É uma nova forma de encontro e sensibilidade com a vida, onde se comunica através de uma linguagem comum: a do olhar emocionado, do afeto e do abraço. É sentir que para além das aparências e da singularidade de cada um, somos essencialmente iguais porque os nossos corações pulsam pelo mesmo desejo de amar e ser amado. É ser animados pela mesma esperança de construir um mundo melhor celebrando a alegria e o prazer de viver. Datam de 1982 as palavras que Rolando Toro escreveu “não basta libertar o homem da miséria social e económica, é necessário libertá-lo de sua miséria afetiva. A biodanza desenvolve nas pessoas a capacidade afetiva, indispensável para o desenvolvimento comunitário”.

 

Pelo desejo de um mundo melhor, por saber que outro mundo é possível, por ter a certeza que as contribuições que a Biodanza fez na minha vida podem atingir mais e mais pessoas. Porque superamos os momentos problemáticos dançando, colocando em movimento a vida, experimentando caminhos novos e transmutando… Por tudo isso, em passos de dança, de mãos dadas como numa ciranda em que cada um tem o seu lugar, estão todos convidados por músicas que ficarão certamente na memória, a vivenciar um mundo melhor celebrando a alegria de viver e de mais um Dia Mundial da Biodanza, que reunirá centenas, tanto a Norte como a Sul do país, como uma teia pulsante. E um acto político, porque coletivamente estamos construindo outras formas de viver dentro do Princípio Biocêntrico, com vista à transformação social.

 

Estou grato por poder desenvolver o legado do Rolando e fazer parte deste movimento ímpar em termos mundiais e ter condições para desenvolver redes cada vez mais englobantes e interativas de amorosidade, solidariedade e criatividade por este mundo fora e, mais particularmente em Portugal, onde as revoluções se fazem com cravos nas espigardas. Que siga a Dança!

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