AO RITMO DA VIDA… Porque fazer BIODANZA?

Com certeza já lhe aconteceu ao dançar numa festa, sentir aquela fusão com uma determinada música que o levou ao êxtase, e lhe deu vontade de recomeçar a experiência. Nessa altura sentiu-se leve e sensível, seus movimentos surgiram das entranhas fazendo-o viajar para um estado de ânimo diferente que o emocionou, e gerou uma enorme sensação de amor e bem-estar. Pena que tivesse sido tão passageiro.

De facto, cada instante vivido, de forma consciente ou não, desencadeia processos internos em nosso ser (com respostas neuro-endócrinas e imunológicas) que alteram os nossos estados mentais, e que estão diretamente conectados com o nosso corpo e as nossas atitudes diante da vida. Infelizmente, face ao nosso atual estilo de vida, vivemos amiúde das vezes de forma dissociada, gerando estados desarmoniosos e stressantes que originam aliás bastantes doenças e desequilíbrios.

Em Biodanza, entendemos a dança como um elemento muito poderoso capaz de gerar sensibilidade, empatia, solidariedade, alegria, amor, …. aquilo que os cerca de 2.500 praticantes da “Dança da Vida” em Portugal  relatam como um sentimento de bem-estar que perdura no seu quotidiano, e que os traz semanalmente às aulas em grupo regular.

Então, qual é o segredo da Biodanza?

A maior parte das disciplinas corporais não se vinculam à vivência nem às emoções, levando a uma dissociação afetivo-motora. A Biodanza, pelo contrário, tem um repertório de exercícios e de danças cuja finalidade é ativar os movimentos humanos, onde para além da postura e da criação, também são tidos em conta a espontaneidade, o contacto, a carícia, a intencionalidade do movimento entre outros aspetos. A música criteriosamente selecionada tem o condão de atuar sobre os nossos sentimentos, provocando movimentos no nosso corpo. Estes movimentos, que se manifestam através de impulsos naturais e instintivos, promovem o surgimento de sensações e sentimentos, muitos deles retraídos pela nossa educação e regras sociais. Utilizando estímulos positivos portanto, como a música orgânica, o movimento sensível e as vivências integradoras, a Biodanza tem-se mostrado, um caminho muito eficaz para promover e restaurar o nosso bem-estar e equilíbrio orgânico, desde que praticado com regularidade. Desta feita a biodanza não é nem uma técnica ou estilo de dança, nem uma terapia, mas sim um processo de Desenvolvimento Humano. É uma pedagogia da arte de viver.

Ser natural | verdadeiro | orgânico na dança implica em oferecer ao corpo possibilidades de movimentos plenos de sentido, despojando-o dos clichés que trazem à memória padronizações de corpos e bailados, por isso não é necessário saber dançar para se praticar esta modalidade. A dança orgânica aumenta a nossa consciência corporal, melhorando a nossa postura e perceção de nós mesmos, reforça a nossa identidade e gera uma autoestima positiva. Dissolve ainda tensões musculares, permitindo maior flexibilidade, agilidade, equilíbrio e leveza nos movimentos, e, com isso, passamos a introduzir esse padrão físico à nossa existência, tornando-a mais criativa e prazerosa. A música atua sobre o sistema nervoso neurovegetativo (simpático e parassimpático), sobre os neurotransmissores, sobre o sistema endócrino e imunológico, respiratório e cardiovascular, influenciando assim todas as funções vitais básicas. Essas experiências vão, aos poucos, construindo uma base neurofisiológica que promove uma integração afetivo-motora capaz de trazer ao quotidiano do praticante, os elementos que ele vivencia em suas danças.

A Biodanza foi criada na década de 60 pelo antropólogo e psicólogo chileno Rolando Toro Araneda (1924-2010) como um sistema de integração afetiva e desenvolvimento humano, baseado em vivências criadas através de movimentos de dança usando, para isso, um conjunto de músicas selecionadas. As aulas são sempre efetuadas num contexto de grupo, sendo que cada sessão de Biodanza tem aproximadamente duas horas: 15 minutos de introdução teórica, que serve para elaborar o tema do mês à luz dos princípios biocêntricos que norteiam a Biodanza;15 minutos de perguntas e partilha verbal por parte dos praticantes, que serve para falar das sensações e emoções vividas pelos participantes em cada sessão e 90 minutos de vivência para deixar o mundo das ideias e passar ao mundo vivido e dançado.

E siga a dança, mas ao ritmo da vida orgânica que origina a vida: ritmo biológico, ritmo do coração, da respiração e do impulso de vinculação da espécie.

Nuno Pinto

Todas as 5ª | às 20h | Local: Rua rodrigues sampaio nº 19A (metro Avenida), em Lisboa.

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